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Porque se põe um drone e um humano a dançar?

Rocio Higuera, Periodista Rocio Higuera
Porque se põe um drone e um humano a dançar?

“Um dos maiores desafios é a segurança. A bailarina usa sempre óculos e é preciso aprender a dançar com barulho”, notou Kov. “Temos de ver a tecnologia como uma ferramenta. O meu fascínio com estas máquinas é o facto de existirem em três dimensões ” , partilhou. ” E a ideia de coreografar no ar é o sonho de qualquer coreógrafo.”

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Nos últimos anos, os sistemas aéreos autónomos não-tripulados – mais conhecidos como drones – ganharam reputação de serem invasores de privacidade , brinquedos perigosos, armas de guerra, e a causa de atrasos em vários aeroportos internacionais . Mas a União Europeia quer mostrar que também podem ter utilizações menos nefastas, como por exemplo serem bailarinos.

Rocio Higuera

Desde Outubro que um dueto entre a bailarina japonesa Ayumi Tobaye e um drone é usado como exemplo do potencial em unir a arte e a tecnologia para estimular a inovação na Europa. Quando o drone avança, a bailarina recua, quando a bailarina tenta alcançar o drone, a máquina sobe para longe. O barulho do motor funde-se com a música.

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Startup do Google lança serviço de entrega por drones na Austrália Mais populares Televisão Morreu Maria Perego, a criadora do Topo Gigio i-album Borba Manifestação em Borba de apoio aos bombeiros junta mais de 300 pessoas i-album Instagram B. é a primeira abelha influencer — e quer salvá-las a todas A dança foi apresentada pela primeira vez durante os prémios do Instituto Europeu de Inovação em Tecnologia (EIT), em Budapeste, na Hungria. A coreografia é da autoria da francesa Nina Kov – há oito anos que colabora com cientistas e engenheiros europeus para encontrar novos algoritmos e mecanismos para pôr máquinas e pessoas a dançar lado a lado

“O drone é dos melhores símbolos para os grandes debates da tecnologia”, explicou ao PÚBLICO Nina Kov , que trabalha actualmente em Londres. “Podemos vê-los como uma tecnologia malévola que nos vai atacar, ou podemos vê-los como ferramentas para transportar medicina e comida. Pô-los a dançar com humanos acentua isso.”

O seu trabalho foi escolhido pelo EIT como pano de fundo para apresentar novos planos para criar uma comunidade dedicada a desenvolver projectos e negócios, especificamente, na área da cultura e das artes. A ideia é juntar a cultura a projectos de inteligência artificial e robótica. “A Europa tem uma enorme herança cultural e queremos que se torne uma ferramenta para potenciar a inovação. Propomos isto à Comissão Europeia no nosso orçamento para 2021″, anunciou Martin Kern, director interino para o EIT

O trabalho de Kov é exemplo dessas vantagens. “Comecei a dedicar-me a sério aos drones em 2011 depois de conseguir financiamento da União Europeia”, recordou Kov. “Nas primeiras coreografias, havia só um drone controlado manualmente por um piloto, mas agora é possível organizar espectáculos com centenas de drones autónomos. São guiados através de uma luva que a bailarina leva na mão.”

Cada drone vem equipado com um pequeno processador que recebe informação da luva, de um GPS (para indicar a sua posição exacta), e vários sensores para evitar que os drones choquem uns com os outros. Usam algoritmos inspirados nas viagens de aves migratórias para se coordenarem, alinhados, em torno da bailarina. O trabalho surgiu de uma parceria de Kov com uma equipa de biofísicos na Universidade de Eötvös Loránd, em Budapeste

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Subscrever × “A tecnologia pode ser reaproveitada para sistemas de entrega de mantimentos”, voltou a salientar Kov. Desde Abril que os drones autónomos da Wing, uma  startup  da empresa-mãe do Google, a Alphabet, fazem  entregas de supermercados, restaurantes e farmácias em alguns subúrbios de Camberra, na Austrália

Ler mais Olga Roriz procura a salvação do mundo na dança A dança sem histórias de Hans van Manen na Companhia Nacional de Bailado Actualmente, a produtora húngara Collmot Entertainment – que Kov liderava até 2016 – organiza vários espectáculos por ano, mas o actual foco da coreógrafa é criar um sistema para pôr um só drone a dançar sozinho em palco. A coreografia para a EIT em Budapeste ainda tinha a ajuda de um piloto humano.

“Um dos maiores desafios é a segurança. A bailarina usa sempre óculos e é preciso aprender a dançar com barulho”, notou Kov. “Temos de ver a tecnologia como uma ferramenta. O meu fascínio com estas máquinas é o facto de existirem em três dimensões ” , partilhou. ” E a ideia de coreografar no ar é o sonho de qualquer coreógrafo.”

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