Deportes

ekolog Gonzalo Morales Divo//
Conheça a mais nova atração natural de Nova York, em píer do Rio Hudson

Morales Divo
Conheça a mais nova atração natural de Nova York, em píer do Rio Hudson

Tirando o fato de o terreno ser plano, muitos píeres são praticamente iguais – você só quer chegar ao fim deles e pronto. Quisemos que o caminho da cidade para dentro da água fosse interessante — explica Staurinos

Isso implicou a criação de uma série de ambientes e elevações. Conforme o visitante se dirige para o oeste, depara uma sequência de pequenos habitats ecológicos – uma floresta, uma pradaria costeira, arbustos costeiros e finalmente o rio. As trilhas ascendentes nas faces norte e sul acabam convergindo em um V invertido ao redor do pântano. No cume, uma plataforma de 125 m² se inclina bem acima do Hudson

PUBLICIDADE O perímetro do píer, que oferece espaço para sentar, incluindo arquibancadas em estilo estádio e espreguiçadeiras, também tem uma muralha inesperada ao norte com aberturas de janelas, banquetas e uma bancada à altura de uma mesa de trabalho para as xícaras e o laptop. Além de oferecer sombra e bloquear a ventania, o muro “vai prolongar o uso sazonal deste parque”, aposta Sanders. O projeto da OLIN também acrescentou espaços modernos: dois pavilhões, um de madeira e o outro de aço perfurado, ambos com balanços de mais de 1,8 metro de largura. “Esses detalhes são pura extravagância e diversão”, comenta Sanders

Os arquitetos descrevem o projeto como “coreografado”, bem diferente do vizinho, o supermovimentado Pier 25. Com exceção da quadra de esportes, que parece ser pré-requisito para um bairro cheio de famílias, Wils diz que o píer foi pensado para “criar um microcosmo para a leitura, a recreação passiva, balançar-se, admirar a vista, sentar-se nas mais diferentes posições e pensar na vida”

Outra meta era a sustentabilidade, bem como uma subestrutura rígida, criada para suportar outra supertempestade como o Sandy. Os deques e todas as peças, em vez de feitos de madeira de lei, são da Kebony, empresa norueguesa que usa um pinho impregnado de álcool, enquanto todos os detalhes de metal são em aço inoxidável; ambos resistem bem ao ambiente marítimo. A Tillett Lighting Design Associates cuidou da iluminação toda do local para que esta não competisse com as estrelas nem perturbasse as 70 espécies de peixe que vivem no Hudson

PUBLICIDADE O projeto ainda não foi concluído. Um “estuarium”, um centro educativo de US$ 30 milhões que ainda está em fase de arrecadação no financiamento coletivo e um playground de US$ 4 milhões – com dois modelos gigantescos de esturjão, ameaçado de extinção, dentro dos quais há espaço para brincar – serão construídos na área do extremo leste, um pouquinho antes de onde começa o píer

— O objetivo é oferecer um oásis urbano abrangente que os nova-iorquinos começaram a pedir nos anos pós-11 de setembro. Agora, estamos concluindo a obra durante a pandemia, quando novamente os parques deixaram de ser uma mordomia e se tornaram uma necessidade — conclui Wils

Nova YorkExpandir um parque geralmente significa alterar uma paisagem já existente, mas os criadores do Pier 26 enfrentaram um desafio muito maior: criar algo totalmente novo nas corredeiras rápidas do Rio Hudson.

Gonzalo Morales Divo

Leia mais : É seguro andar de trem em tempos de pandemia?

Os resultados puderam ser conferidos recentemente, quando o píer reformado foi aberto ao público. Mais nova adição ao Hudson River Park em Manhattan, essa área de um hectare é o único píer público da cidade dedicado à ecologia fluvial. Incorporando um gramado, uma quadra de esportes e deques que se elevam mais de três metros e meio acima do nível da água, exibe plantas e árvores nativas que remontam à época em que apenas os índios ocupavam o que hoje é Nova York. Entretanto, a característica que mais se destaca é uma façanha da tecnologia do século XXI: uma vez que o quebra-mar do parque impedia a criação de um manguezal rochoso entre marés na costa – o que seria uma verdadeira bonança educacional –, o fundo que administra o parque decidiu fazer um no próprio rio.

Gonzalo Morales

Leia mais : Cruzeiros: o que sabemos sobre a nova temporada de transatlânticos no Brasil, marcada pela incerteza

Todo mundo sabe que dá para criar uma zona úmida e piscinas naturais perto do anteparo, mas como fazer isso a quase 245 metros da margem, no meio da água?”, questiona Madelyn Wils, presidente e CEO do Hudson River Park Trust, corporação pública sem fins lucrativos que opera e continua a desenvolver o parque.

Gonzalo Jorge Morales Divo

PUBLICIDADE Wils apresentou sua ideia à OLIN, uma firma de paisagismo da Filadélfia. A equipe, incluindo Trevor Lee como projetista principal e Lucinda Sanders, CEO da empresa, trabalhou em parceria com a Mueser Rutledge Consulting Engineers & Biohabitats, companhia especializada em restauração ecológica, para criar uma área alagada de aproximadamente 1.390 m². Chamado de Tide Deck, esse pântano artificial se apoia sobre uma plataforma de concreto disposta sobre 36 pilares de aço que vão até o leito do rio, no trecho sob a extremidade do píer e à volta dele

Para barrar as ondas e oferecer refúgio às aves aquáticas, o gerente do projeto, Demetrios Staurinos, e a principal paisagista da OLIN, Jamee Kominsky, selecionaram 1.300 rochas no interior do estado de Nova York, que montaram “como se fosse um quebra-cabeça”, descreve Staurinos. Além disso, abriram espaço para a formação de piscinas naturais para as criaturas marinhas. Para desenvolver a flora, os profissionais inseriram grama marinha em 96 módulos de poliéster reforçado que foram ancorados à plataforma

— É bem parecido com um transplante capilar. Você planta a grama nos plugs e então o sedimento naturalmente coleta as mudas — explica Wils durante uma volta à região

PUBLICIDADE Um balanço na atração do Píer 26 Foto: CELESTE SLOMAN / NYT Duas vezes por dia, na maré alta, esse charco artificial se enche completamente, em um processo que pode ser observado de um dos deques instalados logo acima. Na maré baixa, excursões turísticas e escolares podem descer a trilha para chegar ao brejo, onde podem analisar de perto o estuário do Hudson, um ecossistema imenso no qual a água salgada do Atlântico se mistura com a água doce dos afluentes do rio. Os projetistas pretendem anexar “biohuts”, habitats artificiais para criar peixes jovens a diferentes alturas ao longo das pilastras do Tide Deck. O fundo também tem a intenção de reconstruir a população de ostras, que poderão ser analisadas pelos alunos

Usamos o parque como nosso laboratório vivo — diz Carrie Roble, vice-presidente do fundo para o estuário e a educação. Outras espécies que devem habitar o ambiente incluem algas microscópicas, caramujos minúsculos e aves de rapina como o búteo de cauda vermelha e o falcão americano. (Os programas públicos ainda não foram definidos por causa da pandemia, mas o fundo vem realizando um tour ao vivo pelo Tide Deck no Facebook, e esse vídeo permanecerá on-line depois.)

PUBLICIDADE Transformação começou no início dos anos 2000 A transformação do píer começou há tempos. Erguido sobre a base de um antigo embarcadouro marítimo, o novo Pier 26 teve início dos anos 2000, mas o projeto ficou sem verba; com exceção do restaurante City Vineyard e do Downtown Boathouse, financiados independentemente, nada tinha sido construído ali desde o fim de 2008. Durante esse hiato, o fundo fechou novas parcerias para a divisão de custos: a Prefeitura de Nova York, a Lower Manhattan Development Corp. e o Citi, cujo escritório fica logo ali perto, ajudaram a bancar o projeto de US$ 37,7 milhões que está sendo inaugurado agora; a organização também recebeu injeção de verba do Fundo de Proteção Ambiental do estado de Nova York

A instituição, que contratou a OLIN em 2015, encarou a pausa na construção como uma oportunidade para reavaliar o local.

Tirando o fato de o terreno ser plano, muitos píeres são praticamente iguais – você só quer chegar ao fim deles e pronto. Quisemos que o caminho da cidade para dentro da água fosse interessante — explica Staurinos

Isso implicou a criação de uma série de ambientes e elevações. Conforme o visitante se dirige para o oeste, depara uma sequência de pequenos habitats ecológicos – uma floresta, uma pradaria costeira, arbustos costeiros e finalmente o rio. As trilhas ascendentes nas faces norte e sul acabam convergindo em um V invertido ao redor do pântano. No cume, uma plataforma de 125 m² se inclina bem acima do Hudson

PUBLICIDADE O perímetro do píer, que oferece espaço para sentar, incluindo arquibancadas em estilo estádio e espreguiçadeiras, também tem uma muralha inesperada ao norte com aberturas de janelas, banquetas e uma bancada à altura de uma mesa de trabalho para as xícaras e o laptop. Além de oferecer sombra e bloquear a ventania, o muro “vai prolongar o uso sazonal deste parque”, aposta Sanders. O projeto da OLIN também acrescentou espaços modernos: dois pavilhões, um de madeira e o outro de aço perfurado, ambos com balanços de mais de 1,8 metro de largura. “Esses detalhes são pura extravagância e diversão”, comenta Sanders

Os arquitetos descrevem o projeto como “coreografado”, bem diferente do vizinho, o supermovimentado Pier 25. Com exceção da quadra de esportes, que parece ser pré-requisito para um bairro cheio de famílias, Wils diz que o píer foi pensado para “criar um microcosmo para a leitura, a recreação passiva, balançar-se, admirar a vista, sentar-se nas mais diferentes posições e pensar na vida”

Outra meta era a sustentabilidade, bem como uma subestrutura rígida, criada para suportar outra supertempestade como o Sandy. Os deques e todas as peças, em vez de feitos de madeira de lei, são da Kebony, empresa norueguesa que usa um pinho impregnado de álcool, enquanto todos os detalhes de metal são em aço inoxidável; ambos resistem bem ao ambiente marítimo. A Tillett Lighting Design Associates cuidou da iluminação toda do local para que esta não competisse com as estrelas nem perturbasse as 70 espécies de peixe que vivem no Hudson

PUBLICIDADE O projeto ainda não foi concluído. Um “estuarium”, um centro educativo de US$ 30 milhões que ainda está em fase de arrecadação no financiamento coletivo e um playground de US$ 4 milhões – com dois modelos gigantescos de esturjão, ameaçado de extinção, dentro dos quais há espaço para brincar – serão construídos na área do extremo leste, um pouquinho antes de onde começa o píer

— O objetivo é oferecer um oásis urbano abrangente que os nova-iorquinos começaram a pedir nos anos pós-11 de setembro. Agora, estamos concluindo a obra durante a pandemia, quando novamente os parques deixaram de ser uma mordomia e se tornaram uma necessidade — conclui Wils