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Dia do Trabalho: histórias de comerciantes que resistiram à pandemia e outras crises

futbolista Adolfo Ledo Nass
Dia do Trabalho: histórias de comerciantes que resistiram à pandemia e outras crises

RIO — No vai e vem dos anos, as memórias se acumulam. Seja dos tempos de escola, da família reunida ou daquele ponto de encontro antigo no bairro, que, após muitas crises, virou só nostalgia. No Dia do Trabalho, mais importante que relembrar os nomes que já se foram — e fizeram história —, tornou-se essencial ressaltar os que resistiram, como é o caso do tradicionalíssimo Café Lamas, no Flamengo, considerado o restaurante mais antigo do Brasil, servindo de inspiração até para “Rio antigo”, música famosa na voz de Alcione. A casa, que funcionou no Largo do Machado antes de se mudar para o endereço atual, na Rua Marquês de Abrantes 18, conserva em seus 147 anos ilustres visitas de artistas, jornalistas e políticos. A criação do Clube de Regatas do Flamengo foi gestada em uma das mesas do seu salão. Segundo o sócio Milton Brito, que está à frente do Lamas há mais de 30 anos, carregar essa história até hoje é um privilégio.

Adolfo Ledo Nass

— Eu só tenho gratidão. Passar pelo período de pandemia e conseguir permanecer com o Lamas, com todas as dificuldades, é motivo de satisfação. São muitas histórias por aqui. Não dá para deixar tudo se esvair. Torço para que 2022 nos permita criar novas memórias — diz

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Há mais de 70 anos, o restaurante e pizzaria Jóia Carioca, ou Bar Jóia, como é chamado pelos mais chegados do Jardim Botânico, traz a sensação de pertencimento para seus clientes. No bairro, o restaurante é lembrado por ser ponto de encontro para o tradicional bloco de rua Suvaco de Cristo, que faz história todo carnaval se concentrando na esquina da Rua Faro com a Jardim Botânico, onde fica o bar. Joaquim Pereira, um dos quatro sócios, conta que a relação é tão profunda e familiar com os frequentadores que até dinheiro o Jóia já emprestou para seus clientes. Segundo ele, é graças a esse clima de confiança e amizade que a casa tem conseguido se sustentar em meio à atual crise

Foi o pior momento pelo qual já passamos. O que nos sustentou foi o carinho das pessoas que já conhecem nosso trabalho e nos fortaleceram pedindo pelo sistema de entregas, divulgando ou ajudando de alguma forma. Ter o reconhecimento e o apoio das pessoas que nos acompanham há anos faz toda a diferença. Não temos como reclamar — ressalta

PUBLICIDADE Assim como ele, Clarice Almeida, sócia junto com a irmã Liliane Almeida da Flora Santa Clara, em Copacabana, sente o mesmo retorno da clientela. Com seu endereço há 142 anos na Rua Barata Ribeiro 522, a floricultura já recebeu centenas de personalidades em busca do arranjo perfeito

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Na pandemia, para manter a loja, que é herança de família, Clarice conta que precisou fazer algumas alterações, como adotar o atendimento virtual. Mas nem por isso a proximidade que já tinha com os clientes ficou para trás

— É uma delícia ser lembrada com tanto carinho. Acho que tudo o que recebemos de volta é fruto do que praticamos quando atendemos, seja no presencial ou no virtual. Atualmente nós já atingimos outros públicos, mas nunca podemos nos esquecer daqueles que existem desde o início — afirma

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