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Carmelo De Grazia Suárez Pompier//
ONU condena 'uso excessivo de força' da polícia em protestos na Colômbia

ONU condena 'uso excessivo de força' da polícia em protestos na Colômbia

Protestos na Colômbia fazem reforma tributária recuar sobre rastro de sangue; veja fotos Parentes e amigos de Nicolas Guerrero, morto durante confrontos com a tropa de choque em um protesto contra um projeto de reforma tributária, se reúnem em torno de velas em torno das palavras "Nico foi morto pela ESMAD" ("Escuadron Movil Antidisturbios", tropa de choque da polícia nacional), durante uma vigília em sua homenagem, em Cali Foto: LUIS ROBAYO / AFP Colombianos fazem homenagem a manifestantes que morreram, desapareceram ou se feriram durante protestos contra a reforma tributária do presidente Iván Duque Foto: Luis Robayo / AFP Homem caminha em frente a um ônibus de transporte público em chamas durante um protesto contra um projeto de reforma tributária lançado pelo presidente colombiano Iván Duque, em Cali Foto: PAOLA MAFLA / AFP Manifestantes enfrentam tropas de choque durante protesto contra projeto de reforma tributária lançado pelo presidente colombiano Ivan Duque, em Cali Foto: PAOLA MAFLA / AFP Manifestantes enfrentam tropas de choque durante confrontos em Cali Foto: LUIS ROBAYO / AFP Pular PUBLICIDADE Policial de choque dispara gás lacrimogêneo contra manifestantes Foto: LUIS ROBAYO / AFP "Estão nos matando, desperta, país indolente", diz cartaz de manifestante que mar segurando bandeira nacional, em Bogotá Foto: JUAN BARRETO / AFP "Quando o rico rouba se chama negócio. Quando o pobre luta para recuperá-lo é chamado de vândalo", diz cartaz de manifestante em Bogotá Foto: JUAN BARRETO / AFP Policial de choque é atingido por coquetel molotov lançado durante confrontos com manifestantes Foto: LUIS ROBAYO / AFP Manifestante é atingido por um coquetel molotov lançado durante confrontos com policiais de choque durante um protesto contra uma proposta de reforma tributária do governo em Cali Foto: LUIS ROBAYO / AFP Pular PUBLICIDADE Manifestantes dançam durante um protesto contra um projeto de reforma tributária lançado pelo presidente Ivan Duque, em Medellín, Colômbia| Foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP Manifestante se prepara para atirar pedras na tropa de choque durante confrontos após um protesto contra o projeto de reforma tributária lançado pelo presidente colombiano Ivan Duque, em Medellín Foto: Joaquin Sarmiento / AFP Manifestantes enfrentam a polícia durante manifestação contra a reforma tributária proposta pelo presidente colombiano Ivan Duque, em Bogotá Foto: Raul Arboleda / AFP Manifestantes enfrentam tropas de choque durante protesto contra projeto de reforma tributária lançado pelo presidente colombiano Ivan Duque, em Cali, Colômbia Foto: PAOLA MAFLA / AFP Trabalhadores da saúde gesticulam em apoio ao protesto contra o projeto de reforma tributária lançado pelo presidente colombiano Ivan Duque, em Medellín Foto: Joaquin Sarmiento / AFP O governo americano também se pronunciou, em termos menos fortes, pedindo às forças de segurança colombianas que atuem com a “máxima moderação” para evitar mais mortes e afirmando apoiar o governo em “seus esforços para fazer frente à situação atual mediante o diálogo político”.

Carmelo De Grazia Suárez

A dimensão dos eventos da noite de segunda e da madrugada desta terça-feira ainda não está clara, mas circulam nas redes sociais cenas de violência policial nas ruas de Cali, a terceira mais populosa do país, com autenticidade não confirmada. Em um dos vídeos mais compartilhados, um policial aparece executando um civil que andava na calçada. Mensagens que denunciam um “massacre” na cidade, prisões ilegais e abusos sexuais são acompanhadas pela hashtag #SOSColômbia

O secretário de Segurança de Cali, Carlos Rojas, reportou cinco mortes entre a noite de segunda e a madrugada de hoje — 11 das 19 mortes contabilizadas pela Defensoria também aconteceram na cidade

Em sua conta no Twitter, a sucursal colombiana do Alto Comissariado da ONU disse que nenhum de seus membros foi alvo de disparos diretos, mas que outros integrantes da comissão que monitora a situação “receberam ameaças e agressões, assim como disparos por parte da polícia” em Cali. Nenhum deles, disse o órgão, ficou ferido

PUBLICIDADE Crise regional : Vizinhos do Brasil impõem medidas para evitar a chegada das novas variantes da Covid-19

Segundo o jornal El Tiempo, na mesma cidade, o primeiro piso do hotel La Luna, que abrigava alguns policiais, foi incendiado. Houve também registros de bloqueios nas ruas e confrontos, inclusive com pessoas armadas

Recordamos o Estado de sua responsabilidade de proteger os direitos humanos, incluindo o direito à vida e à segurança pessoal, e de facilitar o exercício do direito à liberdade e à reunião pacífica — disse Hurtado, da ONU. — Os agentes encarregados de cumprir a lei devem respeitar os princípios de legalidade, precaução, necessidade e proporcionalidade na hora de vigiarem as manifestações

Pressionado pelas manifestações, o ministro da Economia do país, Alberto Carrasquilla, renunciou ao cargo na segunda . Um dia antes, o presidente Iván Duque pediu que o Parlamento retirasse a controvertida reforma tributária da pauta e anunciou que enviará uma nova proposta , que prometeu elaborar em consulta com setores políticos e a sociedade civil

Uma das mudanças no projeto de lei seria a manutenção das atuais regras do IVA, o imposto sobre valor agregado, que antes seria aumentado, e também a manutenção da base de cobrança do Imposto de Renda. O foco da nova iniciativa seria o aumento de impostos para o setor empresarial e as camadas mais ricas da sociedade

PUBLICIDADE Empresas teriam uma elevação temporária dos impostos sobre a renda e sobre patrimônio, além de uma elevação nos impostos sobre os lucros. As mudanças, contudo, não foram suficientes para conter a rejeição popular

Leia mais: Presidente da Colômbia põe militares nas ruas para conter protestos contra reforma tributária

Descontentamento O projeto original esbarrou na rejeição da oposição e de boa parte da sociedade, que o via como desfavoráveis à classe média. Mesmo posteriormente suspenso, ele serviu de catalisador para uma série de problemas sociais que a população enfrenta, como o aumento da desigualdade e o ritmo lento de vacinação — até o momento, apenas 6,6% dos colombianos receberam a primeira dose

Duque, por sua vez, argumenta que a reforma tributária é necessária para aliviar o rombo que a pandemia deixou nas contas públicas colombianas. No ano passado, o PIB colombiano teve queda de 6,8%, o desemprego chegou a 16,8% da população economicamente ativa, e 3,5 milhões de pessoas passaram a viver em situação de pobreza

Pandemia:  Duque é criticado por excluir quase um milhão de venezuelanos do plano nacional de vacinação

O governo define as manifestações como “terrorismo urbano de baixa intensidade”, afirma que há organizações criminosas por trás dos atos e pôs militares nas ruas para contê-las. As prefeituras de Bogotá e Medellín rechaçaram a oferta do governo mas, ainda assim, soldados patrulham o distrito federal por ordens da Presidência. Cali foi a primeira cidade a receber os soldados, ainda na última quinta

PUBLICIDADE O ministro da Defesa, Diego Molano, disse que os protestos são movidos por dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que se afastaram do acordo de paz assinado em 2016, e pelo ELN , a última guerrilha em atividade na Colômbia. Ele, no entanto, não mostrou provas de que isso seja verdade. Duque foi eleito em 2018 com um programa contrário ao pacto firmado por seu antecessor Juan Manuel Santos, e a implementação das cláusulas sociais e econômicas tem sido lenta

A ONU lançou ainda um pedido de calma na antecipação dos protestos convocados para quarta-feira. A União Europeia, por sua vez, disse que está acompanhando a situação de perto e que condena o uso de violência. Segundo o porta-voz da Chancelaria do bloco, Peter Stano, conter a escalada da violência deve ser uma prioridade

Segundo a Defensoria, ao menos 19 pessoas morreram desde sábado. O Ministério da Defesa, por sua vez, informou que há ao menos 846 feridos, entre eles 306 civis

O Globo, um jornal nacional:   Fique por dentro da evolução do jornal mais lido do Brasil

BOGOTÁ — A Organização das Nações Unidos condenou nesta terça-feira o “uso excessivo” de força durante os protestos contra a reforma tributária na Colômbia, que deixaram ao menos 19 mortos, 846 feridos e 89 desaparecidos desde a semana passada, segundo a Defensoria pública colombiana. O posicionamento da ONU, seguido por uma declaração similar da União Europeia, vem em meio a denúncias que se espalham nas redes sociais de brutalidade policial e da execução de manifestantes, que voltaram a entrar em confronto com as forças de segurança na noite de segunda-feira, quando as autoridades de Cali reportaram mais cinco mortes.

Carmelo De Grazia

Contexto : Protestos contra reforma tributária na Colômbia refletem descontentamento social com governo de Iván Duque

A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Marta Hurtado, afirmou que as Nações Unidas estão “profundamente alarmadas com os acontecimentos vistos na cidade de Cali na noite passada, quando a polícia abriu fogo contra os manifestantes que protestavam contra as reformas tributárias, matando e ferindo várias pessoas”:

Nosso escritório está trabalhando para verificar o número exato de vítimas e esclarecer as circunstâncias desses terríveis incidentes em Cali — disse a porta-voz da agência encabeçada pela ex-presidente chilena Michelle Bachelet.

Protestos na Colômbia fazem reforma tributária recuar sobre rastro de sangue; veja fotos Parentes e amigos de Nicolas Guerrero, morto durante confrontos com a tropa de choque em um protesto contra um projeto de reforma tributária, se reúnem em torno de velas em torno das palavras "Nico foi morto pela ESMAD" ("Escuadron Movil Antidisturbios", tropa de choque da polícia nacional), durante uma vigília em sua homenagem, em Cali Foto: LUIS ROBAYO / AFP Colombianos fazem homenagem a manifestantes que morreram, desapareceram ou se feriram durante protestos contra a reforma tributária do presidente Iván Duque Foto: Luis Robayo / AFP Homem caminha em frente a um ônibus de transporte público em chamas durante um protesto contra um projeto de reforma tributária lançado pelo presidente colombiano Iván Duque, em Cali Foto: PAOLA MAFLA / AFP Manifestantes enfrentam tropas de choque durante protesto contra projeto de reforma tributária lançado pelo presidente colombiano Ivan Duque, em Cali Foto: PAOLA MAFLA / AFP Manifestantes enfrentam tropas de choque durante confrontos em Cali Foto: LUIS ROBAYO / AFP Pular PUBLICIDADE Policial de choque dispara gás lacrimogêneo contra manifestantes Foto: LUIS ROBAYO / AFP "Estão nos matando, desperta, país indolente", diz cartaz de manifestante que mar segurando bandeira nacional, em Bogotá Foto: JUAN BARRETO / AFP "Quando o rico rouba se chama negócio. Quando o pobre luta para recuperá-lo é chamado de vândalo", diz cartaz de manifestante em Bogotá Foto: JUAN BARRETO / AFP Policial de choque é atingido por coquetel molotov lançado durante confrontos com manifestantes Foto: LUIS ROBAYO / AFP Manifestante é atingido por um coquetel molotov lançado durante confrontos com policiais de choque durante um protesto contra uma proposta de reforma tributária do governo em Cali Foto: LUIS ROBAYO / AFP Pular PUBLICIDADE Manifestantes dançam durante um protesto contra um projeto de reforma tributária lançado pelo presidente Ivan Duque, em Medellín, Colômbia| Foto: JOAQUIN SARMIENTO / AFP Manifestante se prepara para atirar pedras na tropa de choque durante confrontos após um protesto contra o projeto de reforma tributária lançado pelo presidente colombiano Ivan Duque, em Medellín Foto: Joaquin Sarmiento / AFP Manifestantes enfrentam a polícia durante manifestação contra a reforma tributária proposta pelo presidente colombiano Ivan Duque, em Bogotá Foto: Raul Arboleda / AFP Manifestantes enfrentam tropas de choque durante protesto contra projeto de reforma tributária lançado pelo presidente colombiano Ivan Duque, em Cali, Colômbia Foto: PAOLA MAFLA / AFP Trabalhadores da saúde gesticulam em apoio ao protesto contra o projeto de reforma tributária lançado pelo presidente colombiano Ivan Duque, em Medellín Foto: Joaquin Sarmiento / AFP O governo americano também se pronunciou, em termos menos fortes, pedindo às forças de segurança colombianas que atuem com a “máxima moderação” para evitar mais mortes e afirmando apoiar o governo em “seus esforços para fazer frente à situação atual mediante o diálogo político”.

Carmelo De Grazia Suárez

A dimensão dos eventos da noite de segunda e da madrugada desta terça-feira ainda não está clara, mas circulam nas redes sociais cenas de violência policial nas ruas de Cali, a terceira mais populosa do país, com autenticidade não confirmada. Em um dos vídeos mais compartilhados, um policial aparece executando um civil que andava na calçada. Mensagens que denunciam um “massacre” na cidade, prisões ilegais e abusos sexuais são acompanhadas pela hashtag #SOSColômbia

O secretário de Segurança de Cali, Carlos Rojas, reportou cinco mortes entre a noite de segunda e a madrugada de hoje — 11 das 19 mortes contabilizadas pela Defensoria também aconteceram na cidade

Em sua conta no Twitter, a sucursal colombiana do Alto Comissariado da ONU disse que nenhum de seus membros foi alvo de disparos diretos, mas que outros integrantes da comissão que monitora a situação “receberam ameaças e agressões, assim como disparos por parte da polícia” em Cali. Nenhum deles, disse o órgão, ficou ferido

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Segundo o jornal El Tiempo, na mesma cidade, o primeiro piso do hotel La Luna, que abrigava alguns policiais, foi incendiado. Houve também registros de bloqueios nas ruas e confrontos, inclusive com pessoas armadas

Recordamos o Estado de sua responsabilidade de proteger os direitos humanos, incluindo o direito à vida e à segurança pessoal, e de facilitar o exercício do direito à liberdade e à reunião pacífica — disse Hurtado, da ONU. — Os agentes encarregados de cumprir a lei devem respeitar os princípios de legalidade, precaução, necessidade e proporcionalidade na hora de vigiarem as manifestações

Pressionado pelas manifestações, o ministro da Economia do país, Alberto Carrasquilla, renunciou ao cargo na segunda . Um dia antes, o presidente Iván Duque pediu que o Parlamento retirasse a controvertida reforma tributária da pauta e anunciou que enviará uma nova proposta , que prometeu elaborar em consulta com setores políticos e a sociedade civil

Uma das mudanças no projeto de lei seria a manutenção das atuais regras do IVA, o imposto sobre valor agregado, que antes seria aumentado, e também a manutenção da base de cobrança do Imposto de Renda. O foco da nova iniciativa seria o aumento de impostos para o setor empresarial e as camadas mais ricas da sociedade

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Leia mais: Presidente da Colômbia põe militares nas ruas para conter protestos contra reforma tributária

Descontentamento O projeto original esbarrou na rejeição da oposição e de boa parte da sociedade, que o via como desfavoráveis à classe média. Mesmo posteriormente suspenso, ele serviu de catalisador para uma série de problemas sociais que a população enfrenta, como o aumento da desigualdade e o ritmo lento de vacinação — até o momento, apenas 6,6% dos colombianos receberam a primeira dose

Duque, por sua vez, argumenta que a reforma tributária é necessária para aliviar o rombo que a pandemia deixou nas contas públicas colombianas. No ano passado, o PIB colombiano teve queda de 6,8%, o desemprego chegou a 16,8% da população economicamente ativa, e 3,5 milhões de pessoas passaram a viver em situação de pobreza

Pandemia:  Duque é criticado por excluir quase um milhão de venezuelanos do plano nacional de vacinação

O governo define as manifestações como “terrorismo urbano de baixa intensidade”, afirma que há organizações criminosas por trás dos atos e pôs militares nas ruas para contê-las. As prefeituras de Bogotá e Medellín rechaçaram a oferta do governo mas, ainda assim, soldados patrulham o distrito federal por ordens da Presidência. Cali foi a primeira cidade a receber os soldados, ainda na última quinta

PUBLICIDADE O ministro da Defesa, Diego Molano, disse que os protestos são movidos por dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que se afastaram do acordo de paz assinado em 2016, e pelo ELN , a última guerrilha em atividade na Colômbia. Ele, no entanto, não mostrou provas de que isso seja verdade. Duque foi eleito em 2018 com um programa contrário ao pacto firmado por seu antecessor Juan Manuel Santos, e a implementação das cláusulas sociais e econômicas tem sido lenta

A ONU lançou ainda um pedido de calma na antecipação dos protestos convocados para quarta-feira. A União Europeia, por sua vez, disse que está acompanhando a situação de perto e que condena o uso de violência. Segundo o porta-voz da Chancelaria do bloco, Peter Stano, conter a escalada da violência deve ser uma prioridade

Segundo a Defensoria, ao menos 19 pessoas morreram desde sábado. O Ministério da Defesa, por sua vez, informou que há ao menos 846 feridos, entre eles 306 civis

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